Pai ameaça atear fogo em escola e dá tiro em segurança

Matéria veiculada no Correio Popular em 23/01/2017.

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Um homem armado com revólver calibre 38 e cinco litros de gasolina invadiu uma escola no Parque D. Pedro II, região dos DICs, em Campinas, e coagiu os funcionários exigindo vaga para a filha. O caso ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Correa de Mello. O homem ameaçou atear fogo, desistiu, mas acabou efetuando dois disparos, um deles acertou de raspão o vigilante da escola. Ele fugiu do local, mas foi preso em flagrante pela Polícia Militar em sua residência, no DIC I. Ele deve responder por porte ilegal e disparo de arma de fogo. José Soares da Costa, de 50 anos, alegou desespero.

Segundo relatos dos funcionários, Soares, que trabalha como entregador de jornais na madrugada, invadiu a escola por volta das 12h e exigiu uma vaga para a filha de 11 anos na sexta-série. Ele estava transtornado, segundo relataram. “Disse que se a filha não estudasse aqui ninguém ia estudar”, informou um funcionário, que preferiu não se identificar. O vigilante tentou dissuadi-lo da ideia de atear fogo. “Pedi calma para ele, para tentar resolver da melhor maneira possível, que aquela atitude não ia levar a nada”, relatou um funcionário. Depois das ameaças, ele desistiu de atear fogo, mas ao sair fez dois disparos, e um deles acertou na lixeira e atingiu de raspão o vigilante. Soares fugiu em seu veículo. A Polícia Militar foi acionada e com a placa conseguiu prender o acusado em sua casa. “Encontramos com ele o armamento, oito balas intactas e duas deflagradas. O galão ele deixou na escola”, relatou a polícia. O homem já tem passagem na polícia por embriaguez ao volante. A ocorrência foi apresentada na  2ª Delegacia Seccional de Campinas.

Soares disse que passa por dificuldades financeiras e que a filha acabou de sair da escola particular e ele queria a vaga para a menina na escola pública. “Minha esposa foi ao Conselho Tutelar pedir uma vaga. Vaga tem. O diretor da escola mandou minha filha para uma escola muito mais distante da minha casa. Hoje, cheguei do serviço e comecei perder a noção da coisa. Tomei um pouco de cerveja e acabei indo invadir a escola”, afirmou.

“Ia botar fogo na escola. Já que ela não tem condição de estudar, acho que não tem vaga para outras crianças. Aí mudei de ideia. Foi uma coisa impensada”, disse. Ele disse estar arrependido pela atitude. “Foi um momento de desespero de um pai procurando uma vaga para a filha para não perder o ano letivo. Ela está com 11 anos, e não tenho mais condição de pagar vaga na particular. Peço desculpas ao segurança e demais pessoas que estavam lá. Peço desculpas, tanto que nem usei a gasolina. E os dois disparos foram no chão. Em momento algum eu mirei alguém. O objetivo era assustar. Fui errado, vou pagar muito caro pelo meu erro”, afirmou.

Em relação à arma, ele disse que adquiriu há três meses no “mercado negro de Campinas”, com a intenção de se proteger. “Temos um grupo de ciclistas que está sendo roubado direto e decidi me armar para ver o que podia fazer.” A instituição é referência na região pela qualidade de ensino e tem lista de espera. “A busca por vaga é incessante. A lista de espera é enorme, mas é por transferência”, disse um funcionário. O vice-diretor Luciano Reis, que estava no momento da invasão, disse que a residência da criança não está na área de abrangência da escola. “A filha está matriculada na Escola Eduardo Barnabé e ele não quer a vaga. Já vi resolver o problema de vaga na Justiça. Com revólver na mão é a primeira vez”, disse.