'Tiro foi para intimidar', diz defesa de tenente preso por morte de vigilante

Matéria veiculada no G1 em 21/02/2017.

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A defesa do tenente da Polícia Militar (PM) Dilermando do Carmo Luz, preso na noite de segunda-feira (20), afirma que o cliente não atirou com a intenção de matar o vigilante Fernando da Silva e Silva, de 25 anos. A morte aconteceu na manhã de sábado (18) após uma discussão entre os dois em frente a um mercantil no bairro Buritizal, na Zona Sul de Macapá.

Dilermando entregou-se na delegacia dois dias após o crime, em meio a protestos de familiares e amigos do vigilante. O oficial é considerado pela Polícia Civil como o único autor do assassinato do jovem, morto com um tiro na nuca. Câmeras de segurança do local mostram o oficial apontando a arma e atirando na direção de Fernando, que morreu na hora.

"Isso foi um homicídio culposo, ele não empunhou a arma como geralmente os policiais fazem, apoiando, ele simplesmente levantou e atirou. Segundo meu constituinte, ele atirou para intimidar, mas, infelizmente, acertou no rapaz", defendeu o advogado Charles Bordalo, um dos três que fizeram a entrega do tenente na Delegacia de Homicídios (Decipe).

O oficial da PM entregou-se no mesmo dia em que a 4ª Vara Criminal de Macapá expediu um mandado de prisão preventiva contra ele, a pedido do Ministério Público (MP) do Amapá. Dilermando Luz prestou depoimento ao delegado que apura o caso, Ronaldo Coelho.

Em seguida fez exames na Polícia Técnico-Científica (Politec) e depois foi encaminhado ao Centro de Custódia do bairro Zerão, na Zona Sul da capital.

Bordalo adianta que vai manter a tese do homicídio culposo para revogar a prisão e tentar a liberação do tenente, que atuou como instrutor de tiro, e teria usado uma pistola ponto 40 da PM no crime.

"Ele foi instrutor de tiro, ele não é instrutor de tiro. Outra coisa, você pode chamar todos os instrutores de tiros e pedir para eles atirarem dez vezes da mesma distância, é muito difícil acertar. Nós vamos esperar um pouco e levantar esses elementos e entrar depois com revogação de prisão, se for o caso", argumentou Bordalo.

Crime

De acordo com a Polícia Militar, o suspeito estava de folga. Relatos de testemunhas dão conta de que Fernando Silva estava ingerindo bebida alcoólica no estabelecimento comercial e discutiu com o suspeito antes de ser morto. O teor da briga, no entanto, não foi revelado.