PM saca arma e ameaça delegado e agentes de delegacia da Ceilândia

Matéria veiculada no Correio Braziliense em 09/08/2017.

Enquanto os policiais civis faziam o flagrante, familiares do homem detido e um policial militar que não estava uniformizado teriam tentado invadir a delegacia, sendo impedidos pelos agentes e pelo delegado de plantão. Segundo a Polícia Civil, o grupo ignorou a ordem para ficar do lado de fora e, segundo relatos, o PM tentou agarrar o delegado pelas costas. A ação motivou um agente a puxá-lo para trás.Nesse momento, o policial militar teria sacado a arma, alegando que o agente teria feito o mesmo. O fato foi informado ao Centro Integrado de Atendimento e Despacho (Ciade) e logo várias equipes das duas corporações foram para à 19ª DP.

Outra versão

A suspeita de tráfico de drogas não se confirmou e o homem detido, Celso Daniel, 32 anos, foi liberado. Ele afirma que tudo não passou de um mal entendido, conta que é advogado e que foi buscar a mulher na casa da mãe dele no momento em que foi abordado pelos agentes da Polícia Civil. Em entrevista ao Correio, ainda assustado, Celso relata que pensou, a princípio, que a abordagem se tratava de um sequestro. Segundo ele, os policiais não haviam se identificado e só perguntavam: “Onde está a droga?”. 

Na delegacia, o cabo Cleber da Silva, amigo da família, teria se exaltado depois que o delegado pediu que a irmã de Celso parasse de filmar a confusão e a segurou pelo braço. A mulher, Elza Lélis, confirma a versão. 

A PCDF sustenta, no entanto, que Celso desrespeitou os agentes e não quis se identificar. Ele nega, e diz que, desde o início da abordagem, afirmava ser advogado, pediu para mostrar os documentos e disse não ter qualquer relação com o tráfico de drogas. 

Celso prossegue o relato afirmando que, enquanto os policiais civis o revistavam, um grupo de amigos e familiares queria entrar no local e entender a situação. No entanto, por não se tratar de uma Central de Flagrantes 24 horas, os agentes fecharam as portas e tentaram conter o grupo, dando ordem para que saíssem do local. 

Foi nesse momento que, segundo Celso, a irmã dele, Elza Lélis, 42, gravava a confusão pelo celular e teve o aparelho apreendido pela Polícia Civil. Segundo relatos dos envolvidos, a situação se agravou no momento em que o agente gritou com a mulher.

 

Prisões 

Rodilson Lélis, 35, irmão de Elza e de Celso, também foi preso. Inicialmente, ele se apresentou como policial, mas depois negou o fato e declarou ser servidor do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT). Ele foi encaminhado para a Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP). A promotoria do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) já pediu a liberdade provisória do rapaz, sem necessidade de pagamento de fiança, por se tratar de réu primário. 

Celso e Elza responderão por desobediência e o ele ainda será autuado por contravenção de recusa de fornecer os dados concernentes à própria identidade. "Fiz questão de fazer exame toxicológico para provar que eu não tinha envolvimento com drogas. Em nenhum momento fui chamado pelo meu nome, só de vagabundo, traficante e drogado", defende-se Celso, que considera ter sido confundido com outra pessoa.

Por ser policial, o cabo Cleber da Silva foi encaminhado para o 19ª Batalhão de Polícia Militar do DF e ainda está preso. A arma utilizada por ele foi entregue para a PMDF. Procurada para prestar mais informações, a corporação informou, por meio de nota, que “ainda não tem todas as informações e versões do ocorrido”, mas que está apurando os fatos. Segundo informações de colegas do PM, ele atua na corporação há seis anos e é considerado um homem sossegado, que não costuma se exaltar.